Domingo, 22 de Julho de 2018

Morrer

Hoje escrevo…

Só uma palavra que me apraz dizer,

morrer.

Uma morte viva,

de um presente cada vez mais quebrado,

destroçado.

Somente eu, trago a culpa deste estar,

cortes e cicatrizes,

de um não amar.

Jogo-me em mim, em correntes de imaginares,

e nenhum dele é razão,

de não estares.

Vazo-me, despojado,

um fundo negro,

desolado.

Encontrar, e não tomar,

descrever, e não ter,

um ser que não tem de ser,

morrer.

Veias que secaram, num ser que gela,

e interpela,

o ver.

Ablepsia de quem não quer,

via, inferior saber querer,

de quem sabia, atendia,

e agora,

vivia – morria.

publicado por flipe às 16:08
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