Terça-feira, 27 de Julho de 2021

Ilusão

Entre ilusões, verdades,

e visões,

estremeço e pereço,

na que rejeito,

e cada vez menos enfeito.

O agora não é aqui,

não a colher que cai,

se vai,

mas apenas quando adormeço a acordo,

e no astral,

sorrio, e sou real.

E converso, e voo, e abraço,

e no demais esqueço-me,

assim que estremeço,

e acordo,

naquela carne que me prende.

Mas é assim, como ninho que se entrelaça,

e no instinto daquele que o faz,

e é assim que carrego,

esta carne que me ensina e muitas vezes me domina,

que me liberta do espinho,

e me faz acordar no cimo.

Colho o adeus no agora,

numa ausência de tanto,

de um dia-a-dia de pranto,

e jaz a noite,

o fechar,

o ir,

e o não querer voltar.

O chamado morrer,

na verdade, viver.

publicado por flipe às 00:20
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