Segunda-feira, 2 de Outubro de 2023

Chuva no ver

Gota a gota, numa enxurrada de um olhar perdido,

há muito não sentido.

Magoa demais,

esta perca, esta ausência,

esta dormência.

Dói, e dói… e ao mesmo tempo,

inunda-se um olhar,

que treme num suspirar.

Tantas cercas, proteções,

mentiras que ergui,

e que religiosamente manti.

E agora, incapaz de sair,

de sentir,

de me dar,

quebro e quebro-me,

em cada estar.

Recolho e procuro,

e nada encontro, apenas um silêncio de um retiro,

de um faca que parece entrar,

em cada expirar.

A voz é sem voz,

e os pensamento quebram como estilhaças e amassos,

num volitar de um quebrar.

E quebro.

Olho numa mão, e o tempo, já partiu,

olha na outra,

e os poucos grãos sumiram,

aqueles que germinavam sonhos.

Aqueles que sorria,

e no tempo, sentia.

publicado por flipe às 00:07
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